Atividade Física para a 3ª idade
Atividade
física: nunca é tarde para começar
O envelhecimento
populacional é uma realidade no nosso país, assim como em todo o mundo. Com o
aumento do número de idosos ocorre um aumento das doenças associadas ao
envelhecimento, destacando-se as doenças crônico-degenerativas. Talvez a dependência
seja o problema que mais afeta a qualidade de vida dos idosos, tanto para
realizar as atividades de vida diária quanto às atividades instrumentais de
vida diária que pode ser conseqüência de doenças neurológicas,
cardiovasculares, fraturas, lesões articulares, entre outras.
A busca pela melhor qualidade de vida vem aumentando dia a dia, a pratica de atividades físicas, a ingestão de uma alimentação balanceada vêm sendo aderida cada vez mais pelos idosos. A atividade física é um ponto importante na qualidade de vida do idoso. No entanto, o tipo de exercício a ser realizado depende do organismo e da vontade de cada um. Segundo Silene Sumire Okuma, coordenadora do grupo de pesquisa em educação física para idosos da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo, não há nenhuma fórmula predeterminada do que deve ser feito na terceira idade. Por essa razão, dois fatores são preponderantes na escolha da atividade física. Primeiramente, o idoso precisa olhar para si e ver qual a sua capacidade funcional nas atividades do dia-a-dia. A atividade física irá melhorar sua capacidade de desempenhar as tarefas cotidianas.
A atividade
física regular pode contribuir muito para evitar as incapacidades associadas ao
envelhecimento. Seu enfoque principal deve ser na promoção de saúde, mas em
indivíduos com patologias já instaladas a prática de exercícios orientados pode
ser muito importante para controlar a doença, evitar sua progressão, e/ou
reabilitar o idoso.
Benefícios
e Riscos da Atividade Física
A
prática regular da atividade física é acompanhada de inúmeros benefícios, porém
alguns riscos devem ser considerados, sendo a avaliação clínica fundamental
para que os benefícios sejam maximizados e os possíveis riscos minimizados.
Dentre
os benefícios podemos citar:
-
Melhora da sensibilidade a insulina, levando a um melhor
controle glicêmico (níveis normais de glicose sanguínea), que pode prevenir o
desenvolvimento de diabetes;
-
Lipoproteínas: aumento da fração HDL (bom colesterol), diminuição da LDL,
redução significativa das triglicérides, além da redução da atividade
aterogênica dos monócitos (placas de gorduras nas artérias);
-
Composição corporal: com o envelhecimento há um aumento
percentual da gordura corporal e diminuição da massa muscular. A atividade
física reduz esta modificação. Além disso, ajuda a melhorar a massa óssea
quando jovem e prevenir a perda na fase adulta, diminuindo o risco de fraturas;
-
Várias das alterações cardiovasculares e pulmonares que
ocorrem com o envelhecimento normal podem ser minimizadas ou revertidas com a
prática regular de atividade física;
-
Aumento na capacidade física, elasticidade e equilíbrio, diminuindo
o risco de quedas;
-
Aumento da vasodilatação dependente do endotélio, por aumento
da liberação de óxido nítrico. O exercício aeróbico regular previne a perda da
vasodilatação dependente do endotélio que ocorre com o envelhecimento e restaura
ao normal em adultos e idosos sedentários saudáveis;
-
Melhora na imunidade, que pode diminuir a incidência de
infecções e possivelmente de certos tipos de câncer;
-
Efeitos benéficos sobre a pressão arterial sistêmica;
-
Um dos benefícios mais bem documentados é sobre o risco de
doença coronariana e morte, havendo uma relação inversa com a prática de
exercício habitual. Isto vem sendo demonstrado tanto para a prática de
exercício programado, quanto para as atividades de lazer ou inseridas nas
rotinas do dia. Apesar do exercício moderado já apresentar benefício sobre a
mortalidade, aparentemente há uma relação dose-resposta, com exercícios mais
vigorosos demonstrando um efeito ainda maior;
-
O estudo das enfermeiras sugere que a atividade recreativa
confere uma proteção modesta para o câncer de mama;
-
Atividade física, especialmente se vigorosa facilita a
interrupção do tabagismo, além de prevenir o ganho de peso que geralmente se
associa;
-
Muito importante para os idosos são as
evidências de prevenção ou retardo do declínio cognitivo;
Os benefícios do
exercício podem ter grandes impactos sobre a saúde pública. Vários estudos
correlacionaram de forma negativa a atividade e aptidão físicas com a
incidência de doença coronariana, câncer de cólon, diabetes tipo 2 e morte.
Após um evento cardiovascular, como por exemplo, um infarto do miocárdio, a
atividade física mantém sua importância. Porém, ela deve estar inserida dentro
de um programa global de intervenção sobre os fatores de risco cardiovasculares
e a avaliação médica e a atividade física deve ser realizada em ambiente
supervisionado por profissional de saúde, apto a monitorar a freqüência
cardíaca, pressão arterial e sintomas.
Apesar de todos
os benefícios descritos, nas últimas décadas foi documentada uma redução na
prática de atividade física e paralelamente vem ocorrendo um aumento na
prevalência de obesidade. Além disso, quanto maior a idade, menor a chance do
indivíduo estar engajado em alguma atividade física regular. Para completar o
ciclo os médicos e profissionais de saúde não abordam rotineiramente o problema
da inatividade.
Riscos
do exercício.
Os
riscos potenciais associados a atividade física são variados, porém os
benefícios para a saúde são tão grandes que superam em muito os riscos
potenciais. Entre eles podemos citar as lesões ortopédicas (a idade é um dos
fatores de risco para lesões); Arritmias cardíacas (principalmente nos
portadores de cardiopatia); Infarto agudo do miocárdio (basicamente indivíduos
não treinados e portadores de múltiplos fatores de risco em atividade física
vigorosa); Morte súbita (complicação muito rara, aproximadamente 1 chance para
cada 1,5 milhão de episódios de exercício).
Avaliação
médica pré exercício
O
nível de atividade física que é considerada vigorosa para o idoso não pode ser
o mesmo que para o adulto saudável. Esforços de intensidade moderada, na minha
opinião já podem ser considerados como vigorosos para um idoso sedentário,
mesmo que considerado hígido em uma avaliação inicial.
Avaliação
médica inicial é obrigatória para todos os homens com mais de 40 anos, mulheres
com mais 50 anos, portadores de doenças crônicas (tal como doença coronariana,
pulmonar, diabetes) ou que possuem fatores de risco cardiovasculares (diabetes,
hipertensão, tabagismo, dislipidemia, e outros).
Todos os
indivíduos com 60 anos ou mais devem ser submetidos a avaliação médica
periódica e o clínico ou geriatra que o acompanha deve estar apto a liberar e
recomendar a atividade física.
A atividade física precedida de avaliação médica e
incluindo exercícios aeróbicos, de força muscular, de flexibilidade e de
equilíbrio regula e melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso.
Orientações para
exercícios em idosos:
-
Usar roupas e calçados adequados;
-
Não exercitar em jejum. Usar carboidratos
antes dos exercícios;
-
Usar roupas e calçados adequados;
-
Realizar exercício somente quando houver
bem estar físico;
-
Evitar extremos de temperatura e umidade;
-
Iniciar a atividade lenta e gradativamente
para permitir adaptação;
-
Beber água antes durante e depois da
realização das atividades.
Bibliografia
http://www.serasa.com.br/guiaidoso/46_2.htm
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